Teatro

Cris Meirelles vive Moraes Moreira em produção que chega aos palcos do Rio de Janeiro

Com uma trajetória marcada pela versatilidade e pela fusão entre teatro, música e dança, o ator Cris Meirelles desembarca no Rio de Janeiro para mais um grande desafio na carreira. Ele dá vida a Moraes Moreira em ‘Moraes Musical Moreira’, que após passar por Salvador, faz temporada de 5 a 22 de novembro no Teatro Carlos Gomes, Centro (RJ). Na produção, ele é o Vaqueiro do Som, o protagonista que vive o próprio Moraes Moreira da infância à maturidade, no musical inspirado na obra do eterno Novos Baianos e ícone da MPB.

“Eu me inscrevi na audição para fazer esse personagem, mas acabei sendo testado também para o outro protagonista. Quando os ensaios começaram, eu cheguei a ler tanto esse Moraes, que vive as cenas, chamado ‘Vaqueiro do Som’, quanto o outro que narra, chamado ‘Poeta Cantador’, mas sempre foi minha intenção fazer o Vaqueiro. Na audição eles procuravam um ator que cantasse, tocasse sanfona e violão e tivesse experiência com danças brasileiras; não são exigências muitos fáceis de juntar em um mesmo artista e eu tinha todas elas, todas essas coisas fazem parte da minha formação”, revela.

O espetáculo é assinado pela Maré Produções, produtora nordestina responsável também por Torto Arado, o Musical. Para Cris, o projeto carrega um valor simbólico e artístico fundamental: descentralizar um mercado fortemente concentrado no eixo Rio-São Paulo.

“Essas produções vão expandindo no Brasil um jeito nordestino de fazer musical, no que se refere ao estilo do canto, dança, interpretação e até o próprio perfil dos artistas envolvidos. É um trabalho que traz muitas inovações a esse gênero de teatro”, destaca.

Na peça, a narrativa tem 4 eixos: O Poeta-Cantador (Rodrigo Sestrem): narra em cordel a trajetória do Vaqueiro do Som que o atravessa o país coletando sons e vivendo a jornada musical; conduzido e inspirado pela Musa Música (Júlia Tizumba), além de contar com a energia coletiva do Bloco do Prazer e a participação de uma banda ao vivo.

Para abraçar o papel, o artista, nascido em Belo Horizonte, fez um processo de criação que foi conduzido de perto por uma equipe de peso.

“O trabalho de preparação e criação foi lindo, a diretora, Ana Paula Bouzas, atriz e coreógrafa, ao lado de Jaya Batista, trouxeram sempre uma orientação, para a construção dos personagens, que fizéssemos nossos estudos de aproximação, em relação ao corpo, voz, jeito de cantar, mas que tivesse sempre algo nosso ali, que desse verdade ao personagem. Além de conduzirem um trabalho com o texto, a partir da dramaturgia fantástica de Fábio Espírito Santo, para que as palavras parecessem naturais nos personagens e ao mesmo tempo com uma beleza poética. Na parte coreográfica, estudamos várias danças tradicionais brasileiras, em um trabalho técnico rigoroso, mas muito prazeroso, com Ísis Carla e Jai Bispo.

Tivemos um estudo apurado das canções, algumas muito difíceis, conduzidos por Carla Suzart e Tariq Souza, dentro de uma direção musical com muito suingue, groove e belíssimos arranjos dirigidos por João Milet Meirelles e Roney Jorge”, complementa.

Com formação iniciada no Palácio das Artes (Belo Horizonte) em 2002 e consolidada nos anos seguintes em São Paulo — passando pelo Instituto Brincante, Universidade Livre de Música e Faculdade Cantareira —, Cris acumula passagens por grandes companhias e espetáculos de prestígio ao longo de seus 22 anos de carreira.

Entre os destaques de seu currículo estão trabalhos como o musical sobre Jorge Amado no Instituto Brincante (dirigido por Antônio Nóbrega), a ópera hip-hop Orfeu Mestiço (com o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos), o espetáculo de improviso ‘Caleidoscópio’, e a montagem ‘O que nos mantêm vivos’, celebrando os 65 anos de carreira de Renato Borghi. Recentemente, integrou o elenco de ‘Viva o Povo Brasileiro’ (produzido pela Saral e dirigido por André Paes Leme) e atualmente também brilha em ‘Sonho Elétrico’ (da Cia Brasileira, dirigido por Márcio Abreu, ao lado de nomes como Jesuíta Barbosa e Verônica Valentino).

Paralelamente ao sucesso com a obra de Moraes Moreira, o artista de 41 anos já prepara os próximos voos de sua carreira solo.

“Estou em fase de produção do espetáculo Jukebox — criado em parceria com Jaya Batista —, que une improviso, jogos com a plateia e relatos de vivências como artista LGBTIAPN+ nascido e criado no universo das tradições populares. Além disso, estou em desenvolvimento de um show autoral com teclado, sanfona, luzinha piscando, estou criando meu próprio Brega (rs)”, completa o artista.

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