Cinema

Bárbara Paz leva “Rua do Pescador, nº6” para um dos maiores festivais de cinema ambiental do mundo, na Itália

A diretora, atriz e artista visual Bárbara Paz segue a trajetória internacional de seu documentário “Rua do Pescador, nº6”, que será exibido na 29ª edição do CinemAmbiente, um dos principais festivais de cinema ambiental do mundo, realizado entre os dias 3 e 7 de junho, em Turim, na Itália. Fundado em 1998 e sediado pelo Museu Nacional do Cinema, o evento reúne anualmente cerca de 100 produções voltadas às questões ambientais e climáticas, além de integrar o Green Film Network, associação internacional dos maiores festivais dedicados ao tema. O longa acompanha as consequências das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024, registrando o impacto humano da maior catástrofe climática da história do estado a partir do cotidiano de moradores da Ilha da Pintada, em Porto Alegre.
Após sua estreia mundial na Mostra Competitiva de Documentários Brasileiros da 30ª edição do É Tudo Verdade, sendo um dos sete filmes nacionais selecionados, “Rua do Pescador, nº6” construiu uma trajetória de destaque em festivais nacionais e internacionais. O documentário integrou a programação do Festival do Rio 2025, na mostra Première Brasil: Estado das Coisas | Especial COP 30, e garantiu para Bárbara Paz o prêmio de Melhor Direção de Documentário no Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF 2025). O filme também conquistou os prêmios de Melhor Trilha Musical, assinada por Renato Borghetti, e Melhor Desenho de Som, de Rodrigo Ferrante e André Tadeu, no Festival de Gramado, além do prêmio de Melhor Longa-Metragem Ambiental no Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito (Cinesur).
Gravado em junho de 2024, no interior e na região metropolitana de Porto Alegre, o documentário acompanha um delicado momento vivido após as enchentes que atingiram cerca de 95% do território gaúcho, afetando centenas de cidades e deixando mais de 600 mil pessoas desabrigadas. “É um retrato de uma ilha de pescadores devastada pela enchente”, afirma Bárbara Paz, que optou por uma equipe formada majoritariamente por profissionais gaúchos, muitos deles também impactados pela tragédia. “Nossa pequena equipe foi formada por 90% de profissionais do audiovisual gaúcho, a maioria também afetados pela enchente”, conta a diretora.
Logo após as águas baixarem, a equipe percorreu algumas das regiões mais atingidas pela tragédia climática, especialmente a Ilha da Pintada. O cenário encontrado lembrava uma zona de guerra: ruas tomadas por areia, lixo espalhado, casas destruídas e famílias tentando reconstruir suas vidas. Em meio à devastação, o filme encontrou uma comunidade lutando por pertencimento, memória e reconstrução. O documentário se transforma, assim, em um registro histórico e humano sobre o “depois do fim”, criando uma memória audiovisual autoral sobre a maior tragédia climática já vivida no Brasil.

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