
“Minha vida virou do avesso, foi uma coisa extraordinária o que se passou na Copa do Mundo. Agora, todos conhecem o nosso futebol, o nosso Cabo Verde, o nosso povo. São pessoas lutadoras, que nunca desistem”. Foi assim que o goleiro Vozinha destacou a sua brusca mudança de vida, em participação por vídeo, nesta quinta-feira (6/8), no Rio Innovation Week 2026.
Em painel que fechou mais um dia do palco central do evento, Vozinha, sensação de Cabo Verde e da Copa do Mundo – agora com 30 milhões de seguidores nas redes sociais – refletiu sobre a memorável participação da estreante seleção na competição e os impactos sobre a sua carreira e para o seu país. Com participação da jornalista Bárbara Coelho, do ex-goleiro Getúlio Vargas e do cofundador da plataforma Innovation Week, Fábio Queiroz, a conversa teve momentos emocionantes, descontraídos e introspectivos focados nas experiências e opiniões do simpático goleiro de 40 anos.
O ambiente ficou lotado de pessoas que queriam ouvir Josimar Évora Dias, o Vozinha. Nas primeiras interações entre os palestrantes, Getúlio traçou comparações bem-humoradas da sua vivência como goleiro, enquanto Bárbara e o goleiro cabo-verdiano expressaram gratidão mútua pela explosão de popularidade em suas carreiras. “As pessoas me param na rua e perguntam se sou a repórter que entrevistou o Vozinha”, contou a jornalista.
Após conquistar os corações dos amantes do futebol na Copa, Vozinha não escapou de ser perguntado sobre uma possível participação na edição de 2030. “Sinceramente, não sei. Já estou na seleção há muito tempo, e já conversei com o mister, tivemos uma conversa sobre parar. Depois do que aconteceu na Copa, temos que ponderar muito bem, conversar e ver como meu corpo vai estar. Se eu estiver jogando daqui a quatro anos, representar a seleção do meu país é algo que não posso dar as costas. Quem sabe? Vozinha pode estar aí”, destacou, referindo-se à possibilidade de participação na próxima Copa do Mundo.
Relação com o Brasil
Ainda em tom otimista, o atleta recordou da longevidade possibilitada pela tecnologia, pelo cuidado com a alimentação e o sono, apontando a paixão pelo esporte e destacando seu futuro. “Mesmo após a carreira futebolística, pretendo continuar no meio esportivo. Acho que é mais que jogar: podemos inspirar jovens, idosos, diferentes gerações”, disse Vozinha.
Boa parte da conversa no painel passou pela relação do jogador com o Brasil. Entre as referências no esporte, ele disse admirar os ex-goleiros Dida, Taffarel e Rogério Ceni, citou nomes como Ederson, Alisson, Júlio César, Diego Alves, e também destacou o nível do goleiro Fábio, do Fluminense, aos 45 anos de idade.
“Espero disputar a Libertadores no ano que vem, com o Colo Colo, um gigante do continente e meu novo clube. Tenho uma dívida com o Brasil e com o povo brasileiro”, disse o goleiro, em gratidão ao aumento no número de seguidores. No momento, a nova equipe do goleiro é líder do campeonato chileno, com 12 pontos de vantagem para o segundo colocado, o que garantiria uma vaga direta para a próxima disputa da Libertadores.
Vozinha, que também é amante das novelas brasileiras, destacou referências e semelhanças entre o Brasil e Cabo Verde, ressaltando a culinária e o gosto musical, que passa pela paixão de sua avó por Roberto Carlos e sua admiração pela música de Ivete Sangalo, Cidade Negra e Seu Jorge, cantor que também esteve no Rio Innovation Week.
O goleiro também fez questão de louvar artistas cabo-verdianos, e lembrou como pessoas e eventos como a Copa auxiliam no reconhecimento internacional de seu país e impulsionam o turismo e a economia locais. O atleta ainda elegeu as defesas em chutes de Messi como as melhores em sua experiência na Copa do Mundo, e disse que a seleção de Cabo Verde estava preparada para competir com grandes equipes como Espanha, Uruguai e Argentina.
“Foi a nossa melhor experiência em termos esportivos. Há muito tempo lutamos para chegar ao maior palco do mundo. Muita gente não conhecia Cabo Verde, e hoje todo mundo sabe. Para nós isso foi o mais importante. Sempre que entramos em campo, carregamos nosso povo, nosso país, nossa cultura. E buscamos honrar a nossa bandeira”, concluiu o simpático Vozinha.