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Ricardo Bacelar e Airto Moreira lançam “Maracanós”

Chega às plataformas no dia 24 de abril o álbum “Maracanós”, projeto autoral que reúne o compositor e percussionista Airto Moreira e o pianista, compositor e produtor Ricardo Bacelar. Essencialmente instrumental, o álbum será lançado simultaneamente no Brasil, Estados Unidos, Portugal, França, Alemanha, China e Japão pelo selo Jasmin Music.

A gravação de “Maracanós” aconteceu no ano passado, como conta Ricardo Bacelar: “Airto esteve no estúdio Jasmin em duas oportunidades. Na primeira delas, ao lado da cantora Flora Purim, gravamos o single “Aqui, ó” (já nas plataformas), um álbum e um longa-metragem, em fase de produção, que registrou todo o processo de gravação deste disco, ainda inédito. Na segunda viagem dos dois para Fortaleza, onde fica o meu estúdio, Airto e eu fizemos as composições e gravamos ‘Maracanós’. A ideia do disco nasceu durante a captação do longa e foi uma época de muita felicidade para todos, tivemos ótimos momentos”.

Para Airto Moreira, considerado o pai da percussão contemporânea, todo o processo foi muito inspirador: “Estou muito contente com tudo o que aconteceu. O estúdio é maravilhoso, tem tudo o que a gente precisa para fazer uma gravação de primeira qualidade. Pude usar bastante a minha voz, também – às vezes canto quando não estou tocando, por alguns segundos. Para mim, foi assim como uma cama na qual eu pude me deitar, criar e descansar ao mesmo tempo.” Em abril, Airto será homenageado com o NEA Jazz Masters Fellowship, concedido pela National Endowment for the Arts — o mais alto reconhecimento oficial dedicado ao jazz nos Estados Unidos. A distinção é atribuída a artistas cuja contribuição teve impacto excepcional no desenvolvimento da linguagem do jazz ao longo de décadas, situando o músico brasileiro entre os nomes mais relevantes da história do gênero.

Eleita pelos críticos norte-americanos a melhor cantora de jazz dos EUA por quatro anos consecutivos (de 1974 a 1977), Flora Purim, parceira musical e amorosa de Airto Moreira desde o final da década de 1960, faz uma participação especial nos vocais na faixa “Voo da tarde”.

Com abordagem estética arrojada, “Maracanós” transita por caminhos não convencionais, combinando instrumentos acústicos e sintetizadores em uma arquitetura sonora que equilibra improvisação, densidade harmônica e pesquisa timbrística. Criatividade e liberdade pautaram a realização do álbum, como conta Ricardo Bacelar, que também assina a produção do projeto: “Quis prestigiar a liberdade e a experimentação muito presentes na música de Airto e Flora, a própria história dos dois. Fiz uma fusão de música acústica com percussões, cordas, texturas eletrônicas, conferindo originalidade e um caráter bastante imersivo ao disco, que foge do modelo comercial comum na indústria da música de hoje em dia”.

“Maracanós” conta ainda com a participação do quarteto de cordas Kalimera, do Rio de Janeiro, em duas faixas, com arranjos de Liduíno Pitombeira, membro da Academia Brasileira de Música. O resultado é um trabalho que se afasta de formatos previsíveis, explorando liberdade estrutural e interação espontânea entre os músicos.

Sobre o longa-metragem dirigido pelo cineasta Jom Tob Azulay – projeto que deu origem ao álbum “Maracanós”-, Bacelar adianta: “O filme está em fase de finalização, temos previsão de lançamento para o segundo semestre deste ano. É um registro surpreendente, que mostra como Airto e Flora continuam geniais, imprevisíveis, com a mesma criatividade e liberdade no lidar com a música”.

Liberdade criativa é o que move Airto Moreira, que se mudou para os Estados Unidos na década de 1960, passando a tocar com lendas do jazz como Miles Davis, Wayne Shorter, Dave Holland, Jack DeJohnette, Chick Corea, John McLaughlin, Keith Jarrett, Santana, Joe Zawinul, Jaco Pastorius, Al di Meola, Stan Getz e George Benson, entre muitos outros. “O fato de eu ter tocado com esses gigantes é um sinal de que eu sempre estive aberto para a criatividade. Você tem que confiar nos seus instintos musicais para criar, sem atrapalhar ninguém ou se atrapalhar. Sempre confiei nos meus, desde criança”, conta Airto.

Uma pintura do artista plástico Fernando França, nascido no Acre, ilustra a capa do álbum. Criada especialmente para o projeto, ela traz elementos da fusão do Brasil com a África.

Maracanós” é um lançamento do selo criado por Ricardo BacelarMulti-instrumentista, cantor e arranjador, Bacelar vem produzindo, à frente do Jasmin Music, um catálogo de singles e álbuns em colaboração com artistas como Flávio Venturini, Leila Pinheiro, Toninho Horta, Roberto Menescal, Fagner, Flora Purim, Jaques Morelenbaum, Ednardo, Amelinha, Delia Fischer e Gilberto Gil, privilegiando a boa música brasileira.

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