
Um parquinho com trepa-trepa, escorrega, balanço, gangorra e gira-gira ocupa, a partir de 17 de outubro de 2026, o Espaço Petrobras, no foyer do Bloco de Exposições do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Há, no entanto, uma diferença fundamental: não foi feito para brincar. Em “Andréa Hygino: Projeto parquinho”, a artista carioca cria uma instalação formada por brinquedos em escala real que incorporam também elementos de cadeiras escolares. O trabalho inédito, com curadoria de Phelipe Rezende, curador assistente do MAM Rio, parte de uma investigação desenvolvida pela artista sobre os processos de ensino e aprendizado na escola para questionar as regras que determinam como, onde e de que maneira se brinca.
Construídas em aço galvanizado, com pintura branca em esmalte e MDF laminado, as cinco obras que compõem Projeto parquinho (2026) reproduzem formas e dimensões comuns aos parques infantis, mas aparecem alteradas pela artista e atravessadas por elementos do mobiliário e do universo escolar. São elas O jubilado, Sísifo, Grade curricular ou Espaço cartesiano, Gráfico de pizza e O princípio da alavanca. Trepa-trepa, escorrega, balanço, gangorra e gira-gira têm sua lógica habitual subvertida: cadeiras surgem presas entre grades, partes são esvaziadas, movimentos são interrompidos e os brinquedos deixam de cumprir a função para a qual foram concebidos. A cor branca compartilhada pelos brinquedos e o piso onde se apoiam sugere uma estrutura clínica, onde brincadeira e disciplina fazem parte de um contínuo asséptico que, para continuar assim, precisa permanecer intocado.