
Leandro Daniel é mais um nome confirmado e estará de volta em ‘Lá na Minha Terra’, novela das 18h que estreia dia 9 de novembro na TV Globo, do autor Mario Teixeira. Na trama ele será Heraldo Machado, nordestino de 51 anos, que se mudou para São Paulo com sua esposa, Josélia (Suzy Lopes), e suas duas filhas, Marleide (Castorine) e Lucijane (Nina Tomsic), em busca de uma vida melhor. “Heraldo é um homem íntegro, educado e respeitoso. Desde que chegou à capital ele trabalha como motorista na casa de Ismália (Camila Morgado). É o homem de confiança de Cesário (Daniel de Oliveira), marido de Ismália. Ele cuida da família, com quem vive numa casa modesta na Barra Funda – SP”, explica o ator que atenta para o fato, que assim como o seu personagem, ele também formou família, com dois filhos e esposa, e migrou de um estado brasileiro para outro, em busca de uma vida melhor, trazendo todos os medos e desejos na bagagem.
Porém, esse não é o primeiro trabalho de Leandro ao lado de Teixeira, essa é a quarta colaboração deles. Ao longo de sua carreira, Daniel teve criou outros personagens escritos pelo autor, como Sereno em ‘I Love Paraisópolis’, de 2015, que ganhou destaque por sua evolução ao longo da novela.

“Na época eu não conhecia Mario, fui convidado a fazer a novela pelo Alcides Nogueira, que havia assistido o monólogo ‘The Cachorro Manco Show’ que protagonizei durante alguns anos. Na novela fiz Sereno, um dos capangas de Grego, personagem de Caio Castro. Sereno ganhou muito espaço na trama e ao fim da trama já permeava outros núcleos da novela, ganhou um irmão gêmeo e terminou como um executivo. Trabalhei dobrado”(risos).
Após a primeira novela, Leandro foi procurado algumas vezes para novos trabalhos com Mário, mas as agendas não batiam. Em 2022 ele voltou ao ar em uma novela do autor, ele viveu Floro Borromeu, de ‘Mar do Sertão’, e graças ao sucesso, voltou em ‘No Rancho Fundo’, de 2024, com o mesmo personagem.

“Voltamos com a nossa parceria em 2022 na novela ‘Mar do Sertão’ e depois, com o mesmo personagem, o delegado Floro Borromeu, chegamos a ‘No Rancho Fundo’. Floro me deu muitas oportunidades. Sua dureza e seu humor, sua obsessão e sua dificuldade com a linguagem, me deram um material humano único para me conectar com as pessoas, verdadeiramente. A resposta carinhosa do público continua fazendo parte da minha vida nas ruas do Brasil todo”.
Daniel expressa sua profunda admiração pelo autor, elogiando sua capacidade de destacar a alma das pessoas que vivem à margem da sociedade. “Sinto que temos uma missão conjunta de tocar as pessoas através da arte”, diz, refletindo sobre a ligação que tem com o autor. “Ao longo desses anos de parceria que tive a oportunidade de trabalhar em novelas escritas por ele, pude perceber um pouco dos sentimentos artísticos que o movem: seu grande apreço pelo Brasil e principalmente sua relação direta com o Nordeste, de onde veio. Mario reconhece, com delicadeza e maestria, a alma das pessoas e procura dar palco a elas, enaltecê-las, mostrando sua profundidade e beleza. É um erudito, apaixonado pelas letras e pela poesia. E neste sentido, me conecto muito com ele, pois desde muito cedo, este sentimento foi o que me motivou a ser artista. Portanto, acho que temos uma ligação para além da relação social”. Suas personagens me deram de comer. No sentido de me dar o que sonhar, o que viver no sentido artístico e também me deu o que comer no sentido literal. Cada personagem que escreve me “desbarranca” um pouco e me modifica, me reconstrói. Sempre digo a ele: – “nem precisa me dizer o que é o trabalho. Se você me convidar até pra jogar malabares no sinal, eu topo” (risos), complementa.
Além do novo papel em ‘Lá na minha terra’, ele está em produção para trazer aos palcos cariocas a peça ‘Uma Juventude Fascinante’, adaptação da obra ‘Clase’, do autor chileno Guillermo Calderón. A peça, que estreou em 2024 no Teatro Guaíra, Curitiba (PR), explora temas geracionais e reflexões sobre o passado e o presente. “O texto é um expoente da dramaturgia latino-americana contemporânea para o qual fui convidado a protagonizar pelo diretor Diego Fortes, da Armadilha Cia, de Curitiba. Nela faço um ex guerrilheiro chileno que se torna professor secundário e que, numa das aulas só encontra uma das suas alunas, vivida por Gabriela Freire, em sala de aula, querendo defender seu trabalho sobre a vida de Buda, enquanto os demais alunos estão na rua, se manifestando na ‘Marcha dos Pinguins’. Ele, portanto, vê a oportunidade de falar a ela sobre todas as suas memórias e frustrações, criando uma narrativa geracional dura e importante para os nossos tempos”.
Com 30 anos de carreira, o ator tem uma rica bagagem no audiovisual. Vencedor do prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Gramado (2021), possui forte presença no cinema em longas como ‘Jesus Kid’, ‘Entrelinhas’ e ‘Vips’. No streaming, atuou em sucessos da Netflix, como ‘Todo Dia a Mesma Noite’ e ‘Reality Z’, além de ‘Sentença’ (Prime Vídeo) e ‘Cidade de Deus – a luta não pára’ (HBO Max). Na Globo, esteve também em ‘Deus Salve o Rei’, ‘Rock Story’, ‘Segundo Sol’, entre outras produções de sucesso.

“Muitas coisas me marcaram nesse tempo. Os filmes de gênero que fiz quando ainda integrava a Cia. Vigor Mortis, de Curitiba, marcaram meu acesso ao audiovisual e são importantes. “Morgue Story – Sangue, Baiacu & Quadrinhos” é a versão de uma peça de muito sucesso que fizemos no Paraná. O filme ganhou diversos festivais ao redor do mundo. Depois, fazer ‘Vip’s – Histórias Reais de um Mentiroso’ foi marcante, pois foi a primeira grande produção de nível nacional na qual trabalhei. O filme venceu o Festival do Rio e me apresentou: Toniko Mello, Fernando Meirelles, Wagner Moura, e tantos artistas incríveis de grande expressão. Foi um impulso muito forte. Entre outros filmes, destaco ‘Jesus Kid’, pelo qual fui vencedor do Kikito de Ouro no Festival de Gramado, como melhor ator coadjuvante em 2021 com a personagem Chet. Além do prêmio, esse filme me impulsionou e abriu portas para outros trabalhos importantes no audiovisual”.
O ator, que estudou na Faculdade de Artes do Paraná, também tem uma longa carreira nos palcos desde que se formou. “Ainda morando em Curitiba fui co-fundador da Cia ‘Vigor Mortis’ e junto com a ela fiz mais de 12 peças, entre elas: ‘Morgue Story – Sangue, Baiacu & Quadrinhos’, ‘Graphic’, “Pincéis & Facas, peças premiadas em nível nacional. A peça mais marcante foi o monólogo de Fábio Mendes, com direção de Moacir Chaves, “The Cachorro Manco Show “, que me levou a prêmios, festivais Brasil afora e temporada em Lisboa. A peça foi transformadora na minha vida e levou para a televisão. Já morando no Rio de Janeiro fiz “Os Catecismos Segundo Carlos Zéfiro”, “Cássia Eller – o musical”, “Temporada de Gripe” com direção de Felipe Hirsch, “Arte” (substitui Marcelo Flores e Claudio Gabriel) “Depois da Queda”, ” O Livro dos Monstros Guardados” de Rafael Primot, com direção de João Fonseca, entre tantas outras”, diz.
Em paralelo, Leandro está desenvolvendo projetos autorais no audiovisual. Junto com Fabi, sua parceira de vida e de arte, há 30 anos, ele fundou em 2002 sua produtora, a Colombo Produções e a Colombo Filmes, que já lançou o curta “Circo Órion” (sua estreia como diretor e roteirista) e está trabalhando em longas-metragens, incluindo “Gilka”, uma cinebiografia da escritora e poeta, Gilka Machado, além de “Marvin”, um roteiro de sua autoria, em fase de desenvolvimento, que conta a saga de um menino do interior do Rio Grande do Sul que tenta salvar a família da miséria e da desgraça ocasionada pelos desastres climáticos no RS entre 2023 e 2024.
“Além disso, temos outros filmes em fase de captação, dois curtas-metragens: ‘Rio Vermelho’ e ‘A Barca do Inferno’. E uma bíblia de série para a TV, em desenvolvimento, chamada: ‘Não-Morro! Subterrâneos e Ruínas’ que remonta a história do desmonte do Morro do Castelo e suas consequências na formação do Rio de Janeiro contemporâneo”, revela.
O curitibano, radicado no Rio de Janeiro há 16 anos, ainda estará na série ‘Na Batalha’, gravada no Paraná em 2025. “Nela interpreto Ancelmo, um pastor evangélico conservador que se opõe aos artistas de hip hop em sua comunidade. A série é de Alessandra Pajolla com direção de Thatiane Almeida (Sabothati), diretora de trabalhos como ‘Passinho Fod’a (Netflix), ‘Cidade de Deus – A Luta não Pára’ (HBO Max), ‘Rauls’ (Netflix). Ela tem previsão de estrear em 2027 e conta com nomes como Negra Li, Digão, Brenda Lígia, Saravy e muitos talentos da cidade de Londrina”, completa.