Cultura

Na Palma da Mão reúne rodas de samba em encontro histórico na Praça Tiradentes

O Terreiro de Crioulo venceu a primeira edição do Na Palma da Mão, concurso promovido pela 16ª Flup — Festa Literária das Periferias. No último sábado (26), cerca de 12 mil pessoas estiveram na Praça Tiradentes para acompanhar, ao longo de dez horas, o encontro das rodas de samba finalistas, representantes de diferentes territórios do Rio de Janeiro. A programação aproximou a tradição das rodas do universo da literatura. O Cacique de Ramos ficou em segundo lugar, seguido pelo Samba do Trabalhador. 

A iniciativa combinou curadoria especializada com a participação de cerca de 100 pessoas ligadas à música e à cultura das rodas, como Milton Cunha, Xande de Pilares e Teresa Cristina, que contribuíram para selecionar os dez grupos finalistas. Entre eles, os vencedores foram definidos por voto popular de cerca de 2,6 mil pessoas.

A curadoria foi organizada pela pesquisadora e historiadora Angélica Ferrarez, que buscou reunir diferentes faixas etárias, territórios e experiências relacionadas à cultura do samba. “A ideia era promover um encontro entre diferentes gerações entre esses 100 nomes e garantir a presença majoritária de pessoas negras. Também pensamos a questão de gênero de maneira interseccional, incluindo pessoas trans e buscando perceber onde existiam brechas para ampliar essa diversidade, como no caso da participação indígena”, explica.

Mais do que uma competição, o Na Palma da Mão foi concebido como uma celebração da cultura do samba. “As rodas são parte fundamental da história e da formação cultural do Rio de Janeiro, uma tradição que nasce dos terreiros e se reinventa nos espaços urbanos. O samba está profundamente ligado à identidade da cidade e à maneira como o carioca constrói sua própria cultura”, afirma Angélica.

A proposta também buscou reconhecer o samba como uma forma de produção literária, valorizando a palavra e a oralidade presentes nas rodas. “Ele pode ser também um gênero literário. Ele está sendo contado, cantado e lido”, aponta a curadora. Para ela, a experiência abre possibilidades para as próximas edições, aproximando ainda mais os compositores e sambistas de processos formativos que aprofundem essa relação entre música e literatura.

“É trazer eles agora mais para perto e envolvê-los em processos formativos, de modo que a gente consiga repetir esse concurso com desdobramentos em que eles estejam mais conscientes de que o que estão fazendo é literatura com corpo, literatura com instrumento musical, literatura com a palavra.”

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