
Com mais de 70 atividades e a presença de cerca de 20 mil pessoas, a 16ª Flup – Festa Literária das Periferias movimentou o Centro do Rio entre 23 e 27 de setembro. Pela primeira vez, o Teatro Carlos Gomes recebeu a programação principal da festa, enquanto a Praça Tiradentes foi ocupada por rodas de samba, shows, slams, batalhas de rima, passinho, performances, circo e encontros de afoxés. A edição 2026 fez parte da Semana de Arte do Rio e contou com patrocínio master da Shell e patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
Homenageada deste ano, Ana Maria Gonçalves abriu a programação de encontros com a mesa “As Filhas das Filhas das Filhas: Cartas de Kehinde para Dona Antônia”, ao lado de Djamila Ribeiro e mediação de Angélica Ferrarez. A conversa partiu da relação entre gerações de mulheres negras e das histórias, valores e conhecimentos transmitidos entre mães e filhas, tema central desta edição.
Outro ponto alto foi o encontro entre a própria Ana Maria, Jurema Werneck e Kimberlé Crenshaw. A jurista norte-americana, responsável pela formulação do conceito de interseccionalidade, discutiu como raça, gênero e outras formas de desigualdade se sobrepõem e produzem experiências específicas para as mulheres negras. “Hoje tem um movimento de héteros brancos nos EUA que estão usando ‘interseccionalidade’ de uma forma diferente. Eles estão falando que as pessoas estão roubando os direitos deles enquanto homens brancos héteros”, comentou.
A edição também marcou a celebração dos 80 anos de Conceição Evaristo, uma das principais referências da literatura negra brasileira. Na música, Gilberto Gil e Duquesa dividiram o palco na conversa “Todas as Revoluções Começam com uma Canção”. A partir de suas trajetórias, os dois falaram sobre criação, liberdade, música e o futuro do país. “O Brasil é um dos grandes exemplos de nação unificada por esse sentimento profundo de liberdade, com todas as dificuldades da nossa história, mas com esse projeto muito nitidamente no coração brasileiro. Então, ou o mundo se ‘brasilifica’, ou estaremos ameaçados cada vez mais pela volta do nazismo”, comentou o artista.