Entrevista

Betty Faria e Tony Ramos falam sobre televisão, ofício e trajetória no ‘Conversa com Bial’

Conversa com Bial - Pedro Bial recebe Betty Faria, Tony Ramos e Valentina Daniel

Conversa com Bial – Pedro Bial recebe Betty Faria, Tony Ramos e Valentina Daniel

Betty Faria e Tony Ramos são os convidados de Pedro Bial no ‘Conversa com Bial’ que vai ao ar hoje (terça-feira, dia 08). Gravado nos Estúdios Globo, o episódio reúne dois nomes fundamentais da teledramaturgia brasileira em uma conversa sobre carreira, memória, trabalho, família e os desafios de permanecer em movimento em uma profissão marcada pela entrega e pela renovação constante. Em participação especial, Valentina Daniel, neta de Betty Faria e Daniel Filho, amplia a conversa ao falar sobre a relação com os avós, os desafios da profissão e o desejo de construir uma trajetória própria.

Logo na abertura, Bial propõe uma reflexão sobre tradição e continuidade. Ao receber Betty e Tony nos estúdios onde tantas histórias da televisão brasileira ganharam forma, o apresentador destaca a importância de artistas que ajudaram a consolidar a dramaturgia no país e prepara o terreno para uma conversa que mira tanto o legado dos dois quanto a vitalidade com que seguem pensando o ofício.

Ao longo do encontro, Betty fala sobre a relação com o passado, a inquietação diante do presente e o desejo de seguir trabalhando enquanto houver vontade, saúde e oportunidades. A atriz conta que evita determinadas entrevistas por se sentir convocada a comentar o mundo de hoje, mas reconhece que a indignação segue sendo parte essencial de sua forma de estar no mundo. “Acho que, no dia em que eu perder a capacidade de me indignar, eu não estou mais viva. A indignação faz parte de quem eu sou”, afirma.

A conversa também passa pelas redes sociais e pela exposição pública. Betty relembra um período em que se envolvia mais diretamente em discussões virtuais e conta que, hoje, tenta se preservar. Tony, por sua vez, explica que não rejeita as redes, mas nunca sentiu necessidade de ter um perfil pessoal. “Elas vieram para ficar e são ferramentas importantes de comunicação, informação e interação. A única coisa é que eu nunca senti necessidade de ter um perfil pessoal para expor a minha vida ou acompanhar a vida dos outros”, diz.

Entre lembranças, bastidores e reflexões sobre o ofício, os atores falam sobre a diferença entre atuar no teatro, no cinema e na televisão. Tony define o palco como um encontro absoluto, sem cortes ou repetições, e destaca o desafio de manter um personagem vivo nas gravações fragmentadas do audiovisual. “O personagem que estou fazendo agora está aqui comigo o tempo inteiro. Ele não sai da minha nuca”, comenta. Betty complementa a ideia ao lembrar que a vida continua depois que o figurino é tirado, especialmente para mulheres que conciliam trabalho, maternidade, casa e família.

O programa revisita ainda momentos da trajetória de Betty e Tony na televisão, como ‘Baila Comigo’, primeira novela em que atuaram juntos. Betty relembra, com humor, a frustração de interpretar uma professora de dança que dançava bastante em cena, mas não tinha falas de maior destaque, e conta que chegou a ligar para Manoel Carlos para reclamar. “Foi uma grande lição. Porque nunca mais liguei para autor nenhum”, brinca.

A parceria e a admiração entre os dois também aparecem em histórias de bastidores. Betty recorda que chamava Tony de “Maluco Beleza” por estranhar o excesso de gentileza, educação e bom humor do colega. Bial arrisca um diagnóstico bem-humorado – “workaholic” – e Tony reconhece a paixão pelo trabalho. Betty, então, toma emprestada uma definição que ouviu de Rodrigo Fagundes e resume: “Nós somos operários da nossa profissão”. Tony aceita o título “com orgulho”.

Mais adiante, Valentina Daniel faz uma participação na conversa para falar sobre a decisão de seguir a carreira artística. A atriz conta que cresceu vendo a arte como algo bonito, mas difícil, e que os avós nunca romantizaram a profissão. “Eu cresci sabendo exatamente onde estava pisando. Mas também cresci apaixonada por isso”, afirma.
Betty observa a trajetória da neta com atenção e proteção, mas faz questão de reforçar que não deseja ver Valentina repetir seus passos. Para ela, o mais importante é que a jovem atriz construa uma história própria. “Eu não quero que ela seja parecida comigo. Quero que ela seja ela mesma”, diz. Valentina também fala sobre a experiência de trabalhar ao lado de Daniel Filho na adaptação de ‘Toda Nudez Será Castigada’, acompanhando o processo do roteiro à montagem.

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