Novela

Atriz Isadora Gondim comenta a estreia na Globo: “acho até bonito que não tenha acontecido de primeira”

A estreia de Isadora Gondim na TV Globo começou muito antes de acontecer. Aos 19 anos, a atriz fez seu primeiro teste para a emissora, que na época procurava atores para a série Onde Nascem os Fortes. A oportunidade não se concretizou naquele momento. Quase uma década depois, quando Isadora já começava a considerar outros caminhos profissionais, a mesma produtora de elenco que havia conhecido seu trabalho voltou a procurá-la. Desta vez, não para um novo teste, mas para convidá-la a integrar o elenco de A Nobreza do Amor.

“Olhando agora, acho até bonito que não tenha acontecido de primeira. A produtora de elenco já tinha me visto em 2017, lá na minha cidade (Natal-RN), no meu primeiro teste para a Globo. Em março desse ano ela me chamou para uma participação na novela, eu mandei meu material, mas acabaram escolhendo outra atriz. Fiquei bastante frustrada, porque queria muito fazer.  Não recebi mais nenhuma mensagem por dois meses e achei que já era. Aí, o convite veio em junho! Me surpreendeu porque era pra uma personagem que ficaria até o final, como parte relevante da trama”, conta.

O convite ganhou um significado ainda maior quando Isadora descobriu qual seria seu papel: Rosa, uma jovem de aproximadamente 18 anos, nascida no interior do Rio Grande do Norte, que chega a Barro Preto com a família depois de perder praticamente tudo. “Entrar num estúdio da Globo pela primeira vez e carregando uma personagem que tem meu sotaque, que é da minha terra! Difícil de explicar essa emoção. Penso em todas as versões de mim que insistiram para que eu pudesse estar ali”, comenta.

A atriz estava prestes a tomar outro rumo profissional. “Rosa chegou num momento muito simbólico da minha vida. Eu estava cansada, questionando muitas coisas e tentando entender se ainda fazia sentido continuar insistindo nesse sonho. O plano já era tentar um concurso público. Receber essa notícia naquele momento teve um significado que ultrapassou conseguir um trabalho. Foi quase como a vida me dizendo: ‘fica só mais um pouco, que isso é pra você’.”, comenta.

Uma personagem marcada pelo luto

Na trama, Rosa é filha de Nilo (Daniel Porpino) e irmã de Severino (Pedro Fasanaro). A mais nova de uma família simples, ela chega a Barro Preto depois de ser expulsa, junto aos familiares, da fazenda do Boqueirão, onde trabalhavam. A família atravessa um momento de muitas perdas: Rosa acaba de perder a mãe para uma febre e também carrega o luto pela morte de três irmãos pequenos. Em meio à fome, ao luto e à necessidade de reconstruir a vida, ela precisa assumir responsabilidades grandes demais para sua idade. Ao mesmo tempo, preserva o talento que herdou da mãe, que lhe ensinou a costurar e fazer renda, habilidade que chama a atenção de Lúcia (Duda Santos), que a convida para trabalhar no ateliê Flor de Seda.

Segundo Isadora, “Rosa é um pouco tímida, recatada, inocente, mas é meio desconfiada e está bem marcada pelo sofrimento que já viveu. Acho interessante justamente essa contradição: ela ainda é uma menina, mas a vida começa a exigir dela uma mulher. Ela é justa, inteligente, observadora, talentosa com sua renda e costura”, comenta.

Para viver Rosa, atriz aprendeu a costurar e fazer renda de bilro

Para viver a personagem, Isadora decidiu aprender a costurar antes mesmo de chegar ao set, e pediu ajuda à avó de uma amiga. Durante as gravações, a atriz teve a oportunidade de aprofundar os aprendizados “tive um workshop de renda usando Bilro, com a Lili. Bilros são hastes de madeira usadas pra enrolar os fios e realizar a técnica artesanal da renda. Os alfinetes eram espinhos de flor de Mandacaru. Já usei em cena, uma coisa linda!”, explica.

Uma atriz em movimento

Nascida em Natal, Isadora é formada em Licenciatura em Teatro pela UFRN e já tem uma carreira construída entre o teatro e o audiovisual, mantendo uma formação continuada no Brasil e no exterior. Em 2021, foi a primeira brasileira a conquistar a bolsa integral Damián Alcázar para o curso de Acting for Film & Television na Vancouver Film School, no Canadá, onde concluiu a formação com honras. Também criou, escreveu e dirigiu o monólogo autoral Submergida.

“Quando me perguntam onde eu estava antes da Globo me encontrar, eu gosto de pensar que ela me encontrou em movimento. Eu estava trabalhando com outras coisas para o sustento, mas estudando, criando minhas próprias oportunidades., fazendo testes, ouvindo ‘nãos’ e continuando. Eu já estava sendo atriz. A Globo representa uma oportunidade enorme de estabilidade financeira e, é sobretudo a realização de um sonho profissional, mas eu chego aqui carregando tudo o que construí antes dela”.

Quanto ao futuro, Isadora revela que ainda quer muito mais: “Quero construir uma carreira em que exista espaço tanto para grandes produções quanto para trabalhos pequenos e profundamente pessoais, como Submergida. Quero orgulhar os meus, o povo da minha terra natal. Quero fazer personagens completamente diferentes de mim, que me levem a lugares que eu não conheço e que me façam aprender coisas que eu ainda não sei. Quero conseguir transitar sem perder a verdade. Talvez seja isso: eu não quero apenas ser vista, quero sempre ter algo pra mostrar quando estiverem olhando”, conclui.

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