Teatro

“Anunciação – O musical de Alceu Valença” terá sessão extra dia 8 de agosto, sábado, às 20h

“Tu vens, tu vens. Eu já escuto os teus sinais”. A obra do cantor e compositor Alceu Valença chega ao teatro, como uma bruma leve das paixões que vêm de dentro.  O espetáculo “Anunciação – o musical de Alceu Valença”, em cartaz até 16 de agosto de 2026 no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, apresenta imagens, música, festa e invenção que foge do realismo e aposta na magia.

A montagem mergulha no imaginário criado pelo artista ao longo de décadas e constrói uma experiência cênica livre, irreverente e profundamente brasileira. Idealizado por Miguel Colker e direção artística de Duda Maia, o musical faz parte das comemorações dos 80 anos de Alceu (que foram completados no dia 01 de julho). No palco, oito intérpretes – em sua maioria nordestinos – dão corpo a uma narrativa sem personagens fixos, guiada por cerca de 35 canções, entre elas “Anunciação”, “La Belle de Jour”, “Tropicana” e “Como Dois Animais”.

O espetáculo nasce de uma relação afetiva antiga de Miguel Colker com a obra de Alceu. Em 2019, após a morte de seu pai, o fotógrafo pernambucano Cafi — amigo de Alceu e autor de capas históricas de seus discos, Miguel assumiu a tarefa de organizar um acervo com mais de 40 mil fotografias. O mergulho nesse material acabou se transformando no ponto de partida do espetáculo. “Nesse processo de digitalização, me deparei com milhares de imagens históricas de Alceu. Vivíamos o pós-pandemia e eu sentia um desejo forte de voltar a fazer teatro. Juntei esse desejo pessoal com a relevância de Alceu e propus à Yanê Montenegro, sua parceira e companheira de vida, levar seu universo poético e criativo para o palco teatral. Ela topou de bate-pronto”, conta Miguel.

Esse universo afetivo é o ponto de partida para uma criação que evita a linearidade e aposta em uma dramaturgia construída a partir da chamada “mitologia valenciana”, personagens, paisagens, símbolos e sensações presentes na obra do artista. Passado, presente e futuro convivem em cena, atravessando Recife, Olinda, São Bento do Una e Rio de Janeiro, em uma geografia mais emocional do que realista.

O texto da peça é assinado por Luiza Loroza e por Duda Rios, co-fundador da Barca dos Corações Partidos e autor de obras de destaque no teatro musical contemporâneo como “Jacksons do Pandeiro” e “Azira’i”, trazendo para o espetáculo uma construção narrativa potente, que dialoga com o universo simbólico e afetivo da obra de Alceu. Segundo o autor, o impulso inicial veio menos de uma ideia racional e mais de uma sensação: “Foi uma vontade de fazer muganga, uma sensação de festa, de maluquice. Depois fomos entendendo que Alceu tem essa doidice saudável, comprometida com a autenticidade da sua expressão.”

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