
Foram anunciados nesta terça-feira, 4 de agosto, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, os vencedores do Prêmio Grande Otelo 2026, a mais importante premiação do audiovisual brasileiro. Os longas-metragens “Manas“, de Marianna Brennand, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, dividiram o prêmio de Melhor Longa-metragem Ficção com empate de votos. O longa de Marianna venceu ao todo cinco prêmios, incluindo Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem Ficção e Melhor Atriz Coadjuvante para Dira Paes. O filme de Mendonça Filho também conquistou os troféus de Melhor Direção de Arte, Melhor Efeito Visual e Melhor Direção de Fotografia, quatro troféus no total. O Prêmio Grande Otelo tem apuração e acompanhamento da PwC Brasil.


“Homem com H”, de Esmir Filho, foi o longa com mais troféus, seis: Voto Popular, Melhor Trilha Sonora, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Som e Melhor Ator de Longa-Metragem para Jesuíta Barbosa. Os troféus de Melhor Documentário e Melhor Montagem Documentário foram para “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa. “Velhos Bandidos”, de Claudio Torres, venceu Melhor Longa-metragem Comédia. Daniel Rezende ganhou o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado por “O Filho de Mil Homens” e Rafaela Camelo o de Melhor Primeira Direção de Longa-metragem por “A Natureza das Coisas Invisíveis”.
O troféu Grande Otelo de Melhor Atriz de Longa-Metragem foi para Denise Weinberg (“O Último Azul”). O prêmio de Melhor Ator Coadjuvante, para Rodrigo Santoro (“O Último Azul”). Johnny Massaro foi laureado como Melhor Ator Série de Ficção para TV Aberta, TV Paga ou Streaming, por “Máscaras de Oxigênio não Cairão Automaticamente”, e Alice Carvalho como Melhor Atriz de Série de Ficção para TV Aberta, TV Paga ou Streaming, por “Cangaço Novo”.


Além dos concorrentes brasileiros, representantes das cinco produções internacionais indicadas na categoria Melhor Longa-Metragem Ibero-Americano vieram ao Rio de Janeiro para a celebração. Duas produções empataram e saíram vencedoras na categoria. A atriz Camila Plaate recebeu o prêmio pelo argentino “Belén” e o ator Jonathan Guilherme pelo português “O Riso e a Faca”.
Realizada anualmente pela Academia Brasileira de Cinema, a cerimônia teve como apresentadoras Marieta Severo e Silvia Buarque, mãe e filha. O evento foi transmitido ao vivo para todo o país pelo Canal Brasil e pelo Youtube da Academia Brasileira de Cinema. Além disso, o público acompanhou a premiação ao vivo diretamente da praça, em um telão inflável de 10×4 metros em parceria com o Cine Zezé Motta, com pipoca gratuita e 250 lugares na plateia. Este ano os finalistas chegaram ao Theatro Municipal a bordo de um trem exclusivo do VLT Carioca, no trajeto entre o Santos Dumont e a Cinelândia.


Foram anunciados 32 prêmios para longas-metragens, curtas e séries brasileiras: 31 produções escolhidas pelos mais de 350 profissionais associados à Academia Brasileira de Cinema, além do disputado Grande Otelo de Melhor Filme pelo Júri Popular, escolhido pelo público por meio de votação aberta realizada no site da Academia. Como é tradição, a abertura dos envelopes foi ao vivo. Neste ano, a lista de finalistas reuniu mais de 2.140 profissionais.
Ney Matogrosso abriu a cerimônia interpretando o clássico “O Tempo Não Para”, de Cazuza, acompanhado de Sasha ao piano e do Quarteto de Cordas. Durante a performance, cenas da cinebiografia do ex-vocalista do Barão Vermelho foram projetadas no telão.
Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema, em seu discurso, dedicou a noite ao cineasta Luiz Carlos Barreto. “Que alegria estar de volta no Theatro Municipal comemorando 25 anos da nossa Academia, consagrando o Prêmio Grande Otelo como a grande celebração do cinema brasileiro. Fico verdadeiramente comovida em ver a quantidade de filmes que produzimos, mas sobretudo a qualidade deles. Quantos filmes são incríveis? Uma cinematografia de dar orgulho e que justifica toda a nossa insistência em produzir obras independentes que só nós podemos fazer. Valeu, vale e valerá a pena. Afinal, a nossa alma não é pequena. Essa noite é dedicada a ele, sem o qual provavelmente eu não estaria aqui. Penso mesmo que ninguém estaria aqui: Luiz Carlos Barreto. Mas quero crer que ele está nos assistindo agora. Se divertindo e nos abençoando junto com Glauber, Cacá, Nelson, Joaquim, León, Fábio e essa turma que já tá por aí no universo, essa noite é pra você, Luiz Carlos Barreto”.
Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio de Janeiro, também homenageou a trajetória e importância de Barretão para o audiovisual e anunciou uma novidade. “As grandes cidades precisam transformar sua cultura em políticas públicas e em legado. Por isso, tenho a alegria de informar que já sancionei um projeto de lei, de autoria da Joyce Trindade, que inclui oficialmente o Prêmio Grande Otelo no calendário oficial da cidade do Rio de Janeiro. A partir de agora, essa premiação passa a integrar, de forma permanente, o calendário oficial da nossa cidade. É um reconhecimento institucional à importância do cinema brasileiro, ao trabalho da Academia Brasileira de Cinema e à trajetória de um prêmio que, há 25 anos, celebra a excelência do nosso audiovisual”.
Ao longo da noite, o evento celebrou o aniversário de 25 anos de premiações da Academia, com uma homenagem a Luiz Antonio Viana, o primeiro presidente da instituição. Com direção de Batman Zavareze e roteiro de Bebeto Abrantes, a cerimônia deu destaque à diversidade no cinema brasileiro, com a ascensão do cinema indígena, produções periféricas, pretas e antirracistas, além de obras do universo LGBTQIAPN+. Durante a cerimônia, foram exibidas imagens de arquivo da primeira edição com Marieta Severo e Paulo José na apresentação, além de depoimentos marcantes do diretor Eduardo Coutinho sobre a importância de dar voz e reconhecimento a todos os trabalhadores do audiovisual brasileiro.
Ainda na parte musical, o Quarteto de Cordas fez arranjos inéditos para “Bicho de Sete Cabeças” e “Vapor Barato”. Ao som de Jards Macalé, o Prêmio fez uma homenagem especial aos profissionais do audiovisual que morreram no último ano, que entre muitos nomes destacou Luiz Carlos Barreto. A noite também contou com um clipe comemorativo, cartazes e trechos de obras emblemáticas do cinema nacional premiadas nas categorias de Ficção e Documentário nos últimos 25 anos — tais como “Santiago”, “Janela da Alma”, “Lixo Extraordinário”, “Chico – Artista Brasileiro”, “Menino 23” e “Elis & Tom”.
O Prêmio Grande Otelo conta com o apoio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, por meio da RioFilme, órgão que integra a Secretaria Municipal de Cultura, e tem apuração e acompanhamento da PwC Brasil.