Tecnologia

Denise Fraga e Marcelo Gleiser refletem sobre a finitude e o sentido da existência no Rio Innovation Week

RIO DE JANEIRO (RJ), 05/08/2026 - RIW 2026 / TECNOLOGIA / INOVAÇÃO / NEGÓCIOS - Rio Innovation Week 2026, evento realizado no Pier Mauá, na cidade do Rio de Janeiro. Na imagem - Plenaria RIW - Marcelo Gleizer e Denise Fraga

O que acontece quando um físico e uma atriz se perguntam: o que vale uma vida humana? Diante de um auditório lotado nesta quarta-feira (5) no palco Kobra, durante o Rio Innovation Week (RIW), a atriz Denise Fraga e o físico Marcelo Gleiser conduziram uma conversa sobre finitude, amor, medo, identidade e pertencimento, mostrando como a arte e a ciência podem dialogar na busca por respostas às questões mais profundas da existência.

Cronista das relações humanas, Denise Fraga defendeu que viver plenamente exige coragem para enfrentar temas frequentemente evitados, como a morte. Para a atriz, a consciência da finitude amplia a percepção sobre o presente e convida cada pessoa a refletir sobre o propósito da própria jornada.

Ao longo da conversa, Denise leu crônicas e textos sobre o amor, a complexidade da existência, as relações familiares e a proximidade da morte. Em uma das reflexões, destacou que a vida é marcada por experiências contraditórias e que, mesmo nos momentos de maior sofrimento, é possível encontrar afeto, beleza e significado. Ao recordar o processo de despedida da mãe, afirmou que essa vivência transformou sua compreensão sobre o luto e sobre a riqueza dos vínculos humanos.

A atriz também convidou o público a abandonar a ideia de que falar sobre a morte significa celebrar o fim da vida. Segundo ela, reconhecer que a existência é limitada nos ajuda a valorizar o presente e a cultivar um sentimento de gratidão. “É um privilégio viver mais um dia, e não apenas estar um dia mais perto da morte”, sintetizou. Para Denise, “a alegria é revolucionária” e representa uma forma de resistência diante das dificuldades cotidianas.

Marcelo Gleiser trouxe à discussão a perspectiva da ciência para refletir sobre os limites do conhecimento humano diante da morte. O físico observou que a perda de alguém é uma das experiências mais difíceis da existência e que, apesar dos avanços científicos, a morte permanece um dos maiores mistérios da humanidade. “A perda de alguém é sempre muito difícil. A morte continua sendo um grande mistério para nós. Sabemos muito sobre a vida, mas ainda há limites para aquilo que conseguimos compreender”, afirmou.

Para Gleiser, é justamente a finitude que confere valor à existência. O físico defendeu que, embora o mundo seja marcado por perdas, injustiças e incertezas, é possível encontrar beleza, aprendizado e esperança mesmo em meio ao caos. “A vida ganha sentido justamente por ser finita”, observou.

(Foto: Ag. Enquadrar/RIW)

Tempo de viver e se reinventar

Em outra palestra do Rio Innovation Week, o músico Marco Túlio Lara também abordou a existência e a finitude ao falar de sua trajetória na mesa “Acordes da Vida — Tempo, Escolhas e Reinvenção”, que teve Marcelo Gleiser como anfitrião.

Cofundador da banda Jota Quest, o artista compartilhou sua história de vida e seus aprendizados sobre vocação, sucesso, mudanças, imprevisibilidade e coragem.

“Minha família ficou muito feliz quando comecei a estudar engenharia, mas a cada semestre aquela conexão ficava mais distante pra mim. Eu precisava criar uma ruptura, pois estava perdendo o meu futuro. Aquela situação me levou à psicoterapia, e foi quando percebi que seria capaz de lidar com os meus fracassos, mas não com a minha covardia de não ter tentado até conseguir. Foi assim que comecei na música, depois de ser jubilado na UFMG”, explicou.

Entre uma e outra apresentação de sucessos do Jota Quest e de outras bandas, Marco Túlio seguiu inspirando a plateia. “Na pandemia, naquele momento angustiante, completei 50 anos e assisti o lento processo de morte do meu pai. É inevitável que você fique reflexivo e pense: a vida acaba. E nesse momento, de consciência da finitude, me veio a ideia do que eu queria fazer na vida e eu que eu não queria fazer mais”, disse.

E completou. “Acho importante chegar lá na frente, olhar pra trás, e ver que a vida fez sentido. E aí vem a pergunta: o que te move? O que te faz levantar da cama? Foi por isso que eu quis estar aqui nesse encontro, para o despertar da consciência reflexiva. É você parar e olhar no espelho com coragem e pensar: na sua vida, onde você está, onde você quer chegar e o que você deve fazer para chegar lá. Alguns itens passaram a reorganizar a minha vida a partir disso: propósito, medo e coragem”.

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