
O que acontece quando um físico e uma atriz se perguntam: o que vale uma vida humana? Diante de um auditório lotado nesta quarta-feira (5) no palco Kobra, durante o Rio Innovation Week (RIW), a atriz Denise Fraga e o físico Marcelo Gleiser conduziram uma conversa sobre finitude, amor, medo, identidade e pertencimento, mostrando como a arte e a ciência podem dialogar na busca por respostas às questões mais profundas da existência.
Cronista das relações humanas, Denise Fraga defendeu que viver plenamente exige coragem para enfrentar temas frequentemente evitados, como a morte. Para a atriz, a consciência da finitude amplia a percepção sobre o presente e convida cada pessoa a refletir sobre o propósito da própria jornada.
Ao longo da conversa, Denise leu crônicas e textos sobre o amor, a complexidade da existência, as relações familiares e a proximidade da morte. Em uma das reflexões, destacou que a vida é marcada por experiências contraditórias e que, mesmo nos momentos de maior sofrimento, é possível encontrar afeto, beleza e significado. Ao recordar o processo de despedida da mãe, afirmou que essa vivência transformou sua compreensão sobre o luto e sobre a riqueza dos vínculos humanos.
A atriz também convidou o público a abandonar a ideia de que falar sobre a morte significa celebrar o fim da vida. Segundo ela, reconhecer que a existência é limitada nos ajuda a valorizar o presente e a cultivar um sentimento de gratidão. “É um privilégio viver mais um dia, e não apenas estar um dia mais perto da morte”, sintetizou. Para Denise, “a alegria é revolucionária” e representa uma forma de resistência diante das dificuldades cotidianas.
Marcelo Gleiser trouxe à discussão a perspectiva da ciência para refletir sobre os limites do conhecimento humano diante da morte. O físico observou que a perda de alguém é uma das experiências mais difíceis da existência e que, apesar dos avanços científicos, a morte permanece um dos maiores mistérios da humanidade. “A perda de alguém é sempre muito difícil. A morte continua sendo um grande mistério para nós. Sabemos muito sobre a vida, mas ainda há limites para aquilo que conseguimos compreender”, afirmou.
Para Gleiser, é justamente a finitude que confere valor à existência. O físico defendeu que, embora o mundo seja marcado por perdas, injustiças e incertezas, é possível encontrar beleza, aprendizado e esperança mesmo em meio ao caos. “A vida ganha sentido justamente por ser finita”, observou.