RIO DE JANEIRO (RJ), 05/08/2026 - RIW 2026 / TECNOLOGIA / INOVAÇÃO / NEGÓCIOS - Rio Innovation Week 2026, evento realizado no Pier Mauá, na cidade do Rio de Janeiro. PALESTRA DE CAROL BARCELOS, CARLOS BURLE E BOB BURNQUIST NA PLENÁRIA RIW

O que uma onda gigante e um salto de skate sobre o Grand Canyon podem ensinar sobre inovação? Mediado pela jornalista, apresentadora e palestrante Carol Barcellos, o encontro reuniu Carlos Burle, referência mundial no surfe de ondas gigantes, e Bob Burnquist, um dos maiores nomes da história do skate e atual General Manager do X Games Club São Paulo. A conversa aproximou experiências dos esportes radicais de temas presentes no universo da inovação, como empreendedorismo, adaptação, aprendizado contínuo e capacidade de execução.
Para Carlos Burle, a necessidade de criar novos caminhos surgiu ainda no início da carreira, quando enfrentou a resistência da família à decisão de se tornar surfista profissional. Em uma época na qual o esporte oferecia poucas oportunidades, ele precisou empreender para conseguir viver do surfe. “Se você quer inovar, tem que sair da zona de conforto. Você vai ser criticado e julgado constantemente, mas precisa transformar isso em energia motivacional para seguir em frente”, afirmou. “Tive que empreender no esporte para viver do esporte”, acrescentou.
Ao olhar para a evolução do surfe até sua entrada no programa olímpico, Burle destacou que os obstáculos também ajudaram a impulsionar a profissionalização e o crescimento da modalidade. “Não veja os obstáculos como um lugar para parar e voltar, mas como uma oportunidade para inovar e crescer”, disse.
Bob Burnquist definiu cada nova manobra como um empreendimento. Antes de executá-la, é necessário imaginar os movimentos, compreender os riscos e reunir as ferramentas necessárias para transformar uma ideia em realidade. “O impossível é uma limitação. Temos que ser inteligentes na coragem, porque coragem sem estratégia é uma burrice. A nossa tentativa precisa ser uma tentativa educada”, declarou.
O skatista relembrou o salto realizado sobre o Grand Canyon, que exigiu oito meses de preparação, desenvolvimento do projeto e negociação para a utilização do local. Seus conhecimentos como piloto de avião e helicóptero e como paraquedista também fizeram parte do processo. “Eu não pensei fora da caixa. Pensei em formas de sobreviver àquele salto”, contou.
Essa preparação também foi determinante quando Burle conduziu a tocha olímpica sobre uma prancha, em 2016. Como não teve acesso ao objeto para praticar, o atleta reproduziu seu tamanho e peso com um bastão e entrou no mar diversas vezes com o objetivo de completar o percurso sem molhá-lo. “Eu não sou um super-herói. Apenas treinei a mente para atingir um estado que muitas pessoas consideram impossível”, explicou.
Os participantes defenderam ainda que nem todo desafio precisa ser aceito. Para Burle, é fundamental avaliar se a escolha está alinhada ao propósito e aos objetivos de quem a enfrenta. A partir dessa decisão, entram em cena a capacitação e a construção de uma rede de apoio. “Quando você decide evoluir, precisa se preparar e ter um time de qualidade ao seu lado. Quando você vem para aprender, não perde a viagem”, ressaltou.