
Nos dias 7 e 8 de agosto, a Orquestra Sinfônica Municipal apresenta O Mundo de Tan Dun, concerto que marca a presença do renomado compositor e maestro Tan Dun, responsável pela regência das apresentações e pela interpretação de um programa dedicado à sua própria obra. Reconhecido internacionalmente por unir tradição e inovação, o artista divide o palco com a percussionista Lin Zhe, em um encontro que promete proporcionar ao público uma experiência sonora singular. As apresentações contam com Patrocínio Mobilize. Os ingressos variam de R$13 a R$100, a classificação é livre e a duração do concerto é de 100 minutos, com intervalo.
O programa reúne três obras emblemáticas da produção de Tan Dun: Passacaglia: O Segredo do Vento e dos Pássaros, Water Concerto – Concerto para Percussão e Orquestra e Sinfonia das Cores, peças que sintetizam a linguagem do compositor ao integrar influências da música de concerto ocidental, da filosofia oriental e de sonoridades inspiradas na natureza.
A abertura do concerto acontece com Passacaglia: O Segredo do Vento e dos Pássaros, obra inspirada na antiga tradição chinesa de observar e interpretar os sons da natureza. Nela, Tan Dun estabelece um diálogo entre a orquestra e gravações de cantos de pássaros provenientes de diferentes regiões do mundo, criando uma reflexão sobre a relação entre humanidade, meio ambiente e memória sonora. Estruturada sobre a forma barroca da passacaglia, a composição combina procedimentos da tradição europeia com elementos da cultura oriental e evidencia o interesse do compositor pela preservação do patrimônio sonoro da natureza.
Na sequência, Water Concerto para Percussão e Orquestra coloca a água no centro da experiência musical. Escrita em 1998, a obra integra a série de composições em que Tan Dun transforma materiais naturais em instrumentos de concerto. Bacias, recipientes e diferentes volumes de água produzem uma ampla variedade de timbres, gestos e texturas, ampliando as possibilidades da percussão tradicional. Mais do que um efeito cênico, o uso da água está ligado à concepção estética do compositor, que entende os elementos da natureza como fontes de expressão musical e espiritual.
Encerrando o programa, Sinfonia das Cores apresenta uma escrita orquestral marcada pelo contraste entre densidade sonora e delicadeza tímbrica. A obra explora as cores instrumentais da orquestra como equivalentes sonoros de uma paleta visual, revelando a habilidade de Tan Dun em construir paisagens musicais de grande riqueza sensorial. Ao longo da peça, referências à ópera chinesa, ao ritual, ao minimalismo e à tradição sinfônica ocidental convivem em uma linguagem profundamente pessoal.