
Até onde você seria capaz de ir para conquistar ascensão social? É essa a pergunta que guia “Baixa Sociedade”, clássico texto de Juca de Oliveira que estreou nos palcos cariocas dia 5 de junho de 2026, no Teatro Clara Nunes, Shopping da Gávea. Protagonizada por Luiz Fernando Guimarães, que comemora seus 50 anos de carreira com o espetáculo, e com direção de Pedro Neschling, a peça é um clássico do autor recém-falecido e estará em cartaz sexta e sábado, às 20h; e domingo, às 19h; até 26 de julho. Ainda compõem o elenco Debora Ozório, Paulo Mathias Jr. e Bruna Trindade.
Na trama, Otávio (Luiz Fernando Guimarães) é um homem movido pela ambição e pelo desejo constante de reconhecimento, dinheiro e status. Entre improvisos, mentiras e planos mirabolantes, ele transforma o cotidiano da própria família em uma tentativa permanente de escapar das limitações impostas pela realidade. Ao lado do filho, Otavinho (Paulo Mathias Jr), o patriarca cria situações absurdas e cômicas para sustentar uma imagem de sucesso que, aos poucos, revela suas fragilidades, contradições e frustrações.
“É um personagem muito humano, que tem seu lado ruim e seu lado bom, assim como todo mundo. Muita gente vai se identificar”, diz Luiz Fernando Guimarães.
Para Pedro Neschling, diretor do espetáculo, a força do texto está na permanência dos temas abordados por Juca de Oliveira:
“Apesar de ser uma peça escrita nos anos 1970, a história ainda conversa muito com o Brasil de hoje, pois fala sobre a vontade de ascensão social, custe o que custar, e sobre o famoso jeitinho brasileiro, que não mudou em nada dos anos 1970 para cá”, revela.
Entre encontros inesperados, conflitos familiares e relações atravessadas por interesses e aparências, “Baixa Sociedade” – que acaba de cumprir uma temporada de sucesso em São Paulo – constrói um retrato ácido e bem-humorado sobre o desejo de pertencimento e os mecanismos sociais que moldam comportamentos.
O espetáculo é um dos textos de Juca de Oliveira que mais receberam montagens ao longo dos anos. Com humor afiado e diálogos marcantes, o autor construiu uma das trajetórias mais importantes do teatro brasileiro. Falecido este ano, deixa uma obra marcada pela crítica social, inteligência cênica e capacidade de unir entretenimento e reflexão:
“Neste ano em que tivemos a passagem do Juca, preservar o legado que ele deixou para a nossa dramaturgia é de enorme valor. Ver diferentes obras dele recebendo novas montagens e fazer parte desse movimento de celebração é muito importante”, conclui Neschling.
Alat Sociedade fica em cartaz até o dia 26 de julho no Teatro Claro Mais.