Arte

Cultura que usa arteterapia que cura mobiliza no combate à violência contra a mulher

Para enfrentar o agravamento estrutural da violência contra a mulher no Distrito Federal, o projeto CULTURA QUE CURA emerge em Sobradinho II como uma resposta inovadora de ressocialização e educação. Focada na mobilização dos homens, a iniciativa utiliza a arteterapia e o compartilhamento de histórias reais de superação para desconstruir padrões tóxicos de masculinidade, auxiliando na recuperação de famílias afetadas pela dependência química e pelo machismo.

O Distrito Federal atravessa uma crise aguda de segurança: entre 2024 e 2025, o número de feminicídios na região cresceu 27%, sendo que a maioria das mortes (62,2%) ocorreu dentro das residências. Paralelamente, estudos estimam que o consumo de álcool e drogas está envolvido em até 92% dos casos relatados de violência doméstica . O Distrito Federal ocupa ainda o segundo lugar nacional em consumo abusivo de álcool, com um em cada quatro cidadãos apresentando ingestão excessiva.
Neste contexto, o CULTURA QUE CURA propõe um caminho que vai além da punição, apostando na prevenção e na transformação social. Um dos pilares da iniciativa é o protagonismo masculino no enfrentamento à violência contra a mulher. A partir da própria vivência, Tarcísio Rocha — pessoa com histórico de dependência — atua como agente de conscientização, promovendo um diálogo direto “de homem para homem”. Sua trajetória de superação se torna ferramenta para quebrar resistências e abrir espaço para reflexões sobre como o machismo e a dependência química impactam e fragilizam as relações familiares.
“O engajamento dos homens é fundamental. A gente precisa romper o silêncio e assumir responsabilidade coletiva nesse processo de mudança”, destaca Tarcísio, alinhado a iniciativas globais como a Campanha Laço Branco.

A história dele se conecta à de Kátia Nunes, coordenadora do projeto e sua companheira. “Sair da drogadição não é fácil, é uma luta diária. Nós vivemos a violência doméstica por muitos anos, mas hoje somos prova de que a superação é possível”, relata. Juntos, eles transformam suas experiências em instrumento de conscientização, acolhimento e mudança de perspectiva para outros homens e famílias.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *