Cinema

Longa de animação brasileira ‘Amadeo e o Hipotético Mundo Novo’ leva protagonismo negro ao Festival do Rio

 

Quantas gerações de crianças negras crescem sem se enxergar como protagonistas das narrativas de aventura e de seus super-heróis? É com o intuito de seguir rompendo com essa hegemonia, ocupar espaços e continuar construindo novos e prósperos imaginários para a infância preta que a animação brasileira “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo” faz sua estreia na Première Brasil – Nova Geração, durante o Festival do Rio 2026. A sessão de gala, com presença da equipe e elenco, acontece dia 9 de outubro, às 18h45, no Centro Cultural FGV. No dia seguinte, 10 de outubro, às 16h, o filme ganha uma exibição especial e gratuita ao ar livre na esplanada do mesmo local.

Intelecto preto como motor de transformação

Com direção e roteiro assinados pela cineasta negra Brenda Lígia, o longa desloca os estereótipos historicamente atribuídos a personagens negros no audiovisual. Em vez de forças sobrenaturais ou hiperfoco no sofrimento, o protagonista Amadeo conduz sua própria aventura a partir do conhecimento, da curiosidade e do intelecto.

Para Brenda Lígia, essa dimensão está diretamente ligada à própria concepção do longa.

“Estou muito feliz com a chegada de ‘Amadeo e o Hipotético Mundo Novo’ ao Festival do Rio! Amadeo é uma animação para todas as idades, dos 2 aos 90 anos, com destaque para o protagonismo negro. É exatamente o tipo de filme que eu gostaria de ter visto quando era criança: uma obra atenta às questões históricas, raciais e sociais, que suscita debates profundos sobre representatividade”, destaca a diretora Brenda Lígia.

A trilha sonora do filme, de execução cuidadosa, se faz presente sob o primoroso trabalho original de Guilherme Picolo, músico, produtor executivo na DreamBox e compositor de trilhas sonoras, que assina mais de 8 trilhas de longas-metragens como “Flops – Agentes Nada Secretos”, “Crackland”, “Toro”, “Todo Carnaval tem Seu Fim” e “Amado”.

“Amadeo e o Hipotético Mundo Novo” traz ainda um elenco de vozes originais de atores e atrizes consagrados como Sérgio Menezes, Edmilson Filho, Naruna Costa, Paolla Oliveira, Antônio Fagundes, Mateus Solano, Tiago Abravanel, Adriana Lessa, Igor Cotrim, Dexter – O Oitavo Anjo, Jéssica Miranda, Douglas Monteiro, Luiz Carlos de Moraes, Raul Miguel Pinheiro e a própria Brenda Lígia.

A atriz Léa Garcia também participou do longa, emprestando sua voz, talento e sensibilidade a um trabalho tão importante e representativo quanto ‘Amadeo e o Hipotético Mundo Novo’. Este foi o seu último trabalho. Léa faleceu em 15 de agosto de 2023, deixando um legado marcado pela dedicação à arte e pela constante luta antirracista, se posicionando e ocupando lugares que lhe eram de direito. Ao longo de sua trajetória, tornou-se uma referência fundamental para gerações de artistas negros. Com cerca de 70 anos de carreira, Léa brilhou no teatro, na TV e no cinema. Construiu personagens marcantes e interpretou figuras que transcenderam os palcos e as telas, cravando seu nome no painel cultural brasileiro.

Portanto, este longa-metragem é também uma justa homenagem a Léa Garcia — uma artista que acreditou no projeto, engrandecendo a produção com sua arte e com toda a sua potência humana e artística.

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