
Foto: Alexander Landau
Mais conhecido por sua “Toada” (“Vem, morena ouvir comigo essa cantiga…”), canções e violas, pelos vocais arrojados do Boca Livre e como uma das vozes mais bonitas do Brasil, Zé Renato é um tremendo compositor e cantor de samba. Não por acaso, pelo menos oito de seus 24 álbuns são exclusivamente dedicados ao gênero, fora os sambas salpicados por aí em discos e shows em seus 50 anos de carreira.
A temporada intitulada “Samba e amor”, que fica em cartaz nos dias 3, 10, 17 e 24 de março no projeto Terças no Ipanema, celebra ainda os 70 anos do cantor, músico e compositor no mítico palco do Teatro Ipanema Rubens Corrêa. “Eu farei um roteiro básico com o repertório dos discos de samba que gravei”, diz Zé Renato, referindo-se, por exemplo, a “Cabô”, álbum de 2000 exclusivamente dedicado aos seus sambas autorais, como “Pandeiro”; tributos que gravou a Zé Kéti (“Natural do Rio de Janeiro”), Silvio Caldas (“Arranha-céu”), Chico Buarque e Noel Rosa (“Filosofia”), Paulinho da Viola (“O amor é um segredo”) e Orlando Silva (“Orlando mavioso”), e ainda o disco que gravou com Elton Medeiros e Mariana de Moraes, “A alegria continua”, inteiramente dedicado ao samba. “Também vou cantar músicas que ainda não gravei, de autores como Nelson Cavaquinho e Dorival Caymmi”, adianta.
A cada terça-feira, Zé Renato receberá diferentes convidados. Na estreia, dia 3 de março, será o parceiro Nei Lopes, com quem Zé compôs “Pandeiro”, além de outros sambas em parceria, como “Cândidas Neves”, e clássicos de Nei com Wilson Moreira, como “Senhora Liberdade”.
No dia 10, os convidados serão seus parceiros (sobretudo de samba) Pedro Luís e Paulinho Moska. Com Pedro Luís, entre outros, Zé vai interpretar o samba de roda “Cabô”, que dá título ao seu disco de samba. Do mesmo álbum, com Moska, vai entrar no repertório o samba choro “Cama da ilusão”.
No dia 17, Zé Renato recebe três convidados. Com Teresa Cristina, vai cantar sambas que fizeram juntos, como os belíssimos “Pra cobrir a solidão” e “Delicada”. A noite terá ainda a presença de dois dos principais instrumentistas do samba: o violonista Cláudio Jorge, vencedor do Grammy de melhor disco de samba de 2024, e o percussionista Marcelinho Moreira, que acompanha Zé Renato desde o disco “Cabô”, ambos também cantores e compositores.
No dia 24, último da temporada, Zé Renato praticamente refaz o disco “A alegria continua”, com a participação da cantora Mariana de Moraes, Vidal Assis, compositor e cantor que acabou de lançar um álbum sobre Elton Medeiros, e o maestro e compositor Francis Hime.
Nos quatro shows, Zé Renato vai desfiar sambas, dos clássicos aos contemporâneos. Do tributo que fez a Silvio Caldas, por exemplo, vem o samba que dá título à série de shows, “Viva meu samba”, clássico de Billy Blanco. De Zé Kéti, clássicos como “Mascarada” e “Diz que fui por aí”. De Noel Rosa e seu sucessor Chico Buarque, vem “Feitio de oração” e “Samba do grande amor”, respectivamente. De Paulinho da Viola, “Sofrer”, e assim por diante. E vai cantar também sambas que não gravou ainda, como “Siri recheado e o cacete” (João Bosco e Aldir Blanc), além de sambas próprios, como “Pra você gostar de mim” (de sua parceria com Joyce Moreno).
Ao violão de seis cordas e acompanhado nos quatro shows por dois mestres do samba
contemporâneo, Carlinhos 7 Cordas e o multipercussionista Paulino Dias, Zé Renato vai criar ou recriar em quatro noites um repertório que representa a sua visão muito particular da história do samba. É a voz mais bonita a serviço de “geniais artistas, a arte popular”, como canta em “Pandeiro”.
Por Hugo Sukman
Sobre o Terças no Ipanema
Responsável por levar a música de volta ao palco emblemático do Teatro Ipanema, o projeto teve início em janeiro de 2025. Ao longo dos 50 shows realizados na primeira temporada, o “Terças no Ipanema” alcançou a marca de 90% de ocupação, atestando o sucesso da empreitada. Com curadoria artística própria, a implementação do projeto é fruto de um acordo colaborativo com a Prefeitura do Rio de Janeiro, que integrou o Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa à Rede Municipal de Teatros.
Sobre o Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa
Idealizado pelos atores e diretores Rubens Corrêa e Ivan Albuquerque, o Teatro Ipanema foi inaugurado em 1968, erguido no quintal da casa de Rubens, no Bairro de Ipanema, utilizado para ensaios e depósito de cenários. Desde então, o Teatro Ipanema passou a ser palco para jovens dramaturgos, diretores e artistas. Nomes como José Wilker, José de Abreu e o Grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, entre muitos outros, se lançaram e se consagraram neste espaço histórico, local de grande experimentação artística e foco de resistência. Após sua reestruturação, foi integrado à Rede Municipal de Teatros da Secretaria Municipal de Cultura e voltou a funcionar totalmente em junho de 2012, abrigando uma programação voltada para o teatro adulto e infantil.
Zé Renato no show “Samba e Amor”
Temporada de Março no Terças no Ipanema
Dias: 3, 10, 17 e 24 de Março
Convidados:
Dia 3/03: Nei Lopes
Dia 10/03: Pedro Luís e Paulinho Moska
Dia 17/03: Teresa Cristina, Claudio Jorge e Marcelinho Moreira
Dia 24/03: Mariana de Moraes, Vidal Assis e Francis Hime
Horário: 20 horas
Endereço: R. Prudente de Morais, 824, Ipanema
Preços: R$ 80,00 inteira /R$ 40,00 meias
Classificação indicativa: Livre
Produção: Planetário Produções Culturais
Administração: Da Lapa Produções Artísticas
Realização: KAB
Apoio: Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro
Assessoria de Imprensa: Coringa Comunicação
Mídias Sociais: Nana Pontes
Foto de divulgação: Alexander Landau