
Com quase três décadas de trajetória no Carnaval, Ivi Mesquita vive em 2026 um de seus momentos mais expressivos na avenida, reafirmando uma carreira marcada por presença cênica, consciência social e força simbólica. Pela 27ª vez, ela cruzou o Anhembi desfilando pelo Vai-Vai, estreou na Unidos da Tijuca e retorna, nessa terça, pelo sétimo ano consecutivo, como destaque da Vila Isabel.
No desfile paulistano, Ivi integrou o terceiro carro da escola vestindo a fantasia “Fagulhas da Liberdade”. A alegoria abordou as greves dos metalúrgicos e a luta histórica da classe trabalhadora, levando à avenida imagens de mobilização coletiva e enfrentamento às desigualdades sociais. Sua fantasia simbolizava a centelha que dá início à transformação: a chama da liberdade, da resistência e da consciência coletiva.
Já no Rio de Janeiro, Ivi protagonizou uma participação surpresa na Unidos da Tijuca ao representar Maria do Canindé, em um enredo dedicado à vida e à obra de Carolina Maria de Jesus. A proposta reafirmou Carolina como autora fundamental da literatura brasileira, ampliando sua narrativa para além da pobreza e enfrentando o apagamento histórico. Como destaque central do carro “Quarto de Despejo”, referência direta ao livro Quarto de Despejo, Ivi reforçou autoria, protagonismo e legado da escritora.
Ivi retornou dia 17 à Sapucaí como Colombina, destaque do quarto carro da Vila Isabel, segunda escola a desfilar na noite. A agremiação apresenta o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, em homenagem a Heitor dos Prazeres. O desfile celebra a herança cultural negra ao conectar samba, ancestralidade e identidade brasileira, com Ivi surgindo como figura simbólica que atravessa esse imaginário com lirismo e teatralidade.
Com samba no pé, presença cênica e potência performática, Ivi Mesquita consolida-se, mais uma vez, como uma das figuras mais respeitadas e emblemáticas do Carnaval brasileiro.