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Helga Nemetik, Mona Vilardo celebra as Rainhas do Rádio no retorno dos carnavais de época no Theatro Municipal

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Mona Vilardo comanda uma viagem à época de ouro dos carnavais no Theatro Municipal do Rio. No dia 11 de fevereiro, quarta-feira, às 17h, a cantora e atriz desfilará clássicos dos bailes de gala imortalizados pelas Rainhas do Rádio no Espaço Assyrius

Destaque na série Arcanjo Renegado, da Globoplay, e no elenco do espetáculo “Fafá de Belém, O Musical”, Mona sobe ao palco acompanhada por sete músicos para interpretar sucessos como “Bandeira Branca”, “Marcha do Remador”, “Lata d’água na cabeça” e “Máscara Negra”.

 

Com a direção musical de Marcelo Alonso Neves, a artista contará com Glauco Berçot no piano, Ayres D’Athayde na bateria, percussão de Fábio D’ Lélis, Wanderson Cunha no trombone, Paulo Ricardo no trompete, saxofone de Raphael Max e baixo de Francisco Falcon. O espetáculo ainda terá a participação especial da atriz e cantora Helga Nemetik.

 

O último baile de carnaval no Municipal

 

“Só não permitiremos atentados ao pudor”, declarava um certo Dr. Façanha, Delegado de Costumes e Diversões do Rio de Janeiro, à revista Manchete pouco antes do carnaval de 1975, estabelecendo os limites daquele que seria o último Baile de Gala do Theatro Municipal.

 

O evento grandioso, que já na década de 1950 era chamado de “a maior festa do carnaval mundial”, terminava sua impressionante história de mais de quarenta anos acusado pela imprensa de estar mergulhado na mundanidade e de ter se tornado palco de brigas e selvageria (Diário de Notícias, 16 de fevereiro de 1975). Sucumbindo às liberdades do período marcado pela cultura hippie, o baile havia sido suplantado pela fama e imponência das escolas de samba cariocas, que assumiriam, a partir de então, o incontestável protagonismo da folia nacional. Ironia do acaso, a última decoração a enfeitar o salão onde acontecia o baile intitulava-se “Nostalgia dos Anos de Ouro”, tendo sido idealizada por dois dos maiores artistas criadores para as escolas de samba de todos os tempos: Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues. Aquele ato final, com o gosto amargo de uma Quarta-feira de Cinzas, acabaria por obscurecer uma história cheia de glamour, acompanhada avidamente pelos leitores das revistas ilustradas e pelas rádios e, mais tarde, pelos espectadores das transmissões de televisão. O Brasil inteiro comentava os desfiles de celebridades que compareciam ao baile, os famosos concursos de fantasias (cheios de dramas e controvérsias), as decorações que enfeitavam o grande salão e os excessos dos foliões que ocupavam cada espaço do Theatro Municipal que, com seu esplendor arquitetônico, foi fator preponderante para todo este sucesso. O costume de se realizarem festas à fantasia nos dias de carnaval no Rio de Janeiro é bastante antigo, remontando à década de 1840, com os bailes do Hotel Itália. Acreditava-se, então, que a importação dos bals costumes, que faziam sucesso na folia parisiense, seria a solução para conter os excessos das diversões populares que, já naquela época, ocupavam as ruas do Rio de Janeiro. A contenção não aconteceu, muito pelo contrário, e os ditos “excessos” continuaram cada vez mais fortes nas ruas. Mas os bailes tinham vindo para ficar e tornaram-se a diversão preferida da elite carioca nos dias de carnaval na segunda metade do século XIX. A complexa relação entre os bailes mascarados e as manifestações populares, marcadas pela presença dos zé pereiras, cucumbis e molhaças.

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