Cinema

Documentário ‘Frida Kahlo’ mergulha na vida e nas paixões da pintora

As cores, técnicas e a criatividade são algumas das marcas de Frida Kahlo. Virtudes que construíram algumas das obras mais elogiadas do século XX, e que contam histórias profundas sobre sua vida, estão no inédito documentário “Frida Kahlo”, que estreia com exclusividade no Curta!. A produção já está no CurtaOn – Clube de Documentários.
Dirigido por Ali Ray e com produção da Seventh Art Productions, o filme encerra o especial Mês das Mulheres no Curta!, com produções que exaltam grandes personalidades. Com registros de diários da pintora e depoimentos inéditos de especialistas, curadores e familiares, o documentário analisa algumas das principais obras de Frida, enquanto contextualiza sua vida.
Nascida na Cidade do México num momento de efervescência cultural, apesar das estruturas machistas e tradicionais, Frida demonstrava vocação para as artes desde a infância. Talento que começou a desenvolver depois de sofrer um acidente que afetou sua mobilidade, e com equipamentos adaptados à sua mobilidade reduzida.
“Como meus temas sempre foram minhas sensações, meu estado de espírito e as reações profundas que a vida vinha produzindo em mim, objetifiquei tudo isso em retratos de mim mesma. O ato mais sincero e verdadeiro para expressar como me sentia”, explica em carta.
Frida pintou mais de 150 obras, um terço delas de autorretratos. O documentário estuda algumas delas, como um dos seus primeiros quadros “Autorretrato com vestido de veludo”, de 1926, e o impactante “Hospital Henry Ford”, 1932, quando ela expõe as dores e aflições de um aborto sofrido enquanto vivia uma relação conturbada com Diego Rivera. Aliás, sobre ele ela escreve: “Houve dois grandes acidentes em minha vida: um foi o bonde. O outro o Diego. Diego foi, de longe, o pior”
“É uma das primeiras obras que fez de Frida uma artista radical, ousada e única no gênero. A mulher nua tradicionalmente é retratada de uma forma bem específica na cama, mas Kahlo destrói essa tradição. Mostra a experiência dela com um aborto espontâneo, algo que nunca tinha sido exibido em lugar nenhum”, analisa a professora de História da Arte, Gannit Ankori.
O filme mostra como suas técnicas, ângulos, traços e símbolos recriavam suas experiências. Frida utilizava seu talento para reinterpretar episódios de sua vida de maneira mágica. Suas telas como “Duas Fridas”, de 1939, se tornaram referência na arte e sua coragem e liberdade a tornaram num símbolo de força e representatividade.
“Aqui, há uma mudança na técnica, no impacto que ela queria que a pintura tivesse. Passamos a ver céus sombrios, com chuva iminente. Em “As Duas Fridas”, o elemento que nos dá a sensação de sofrimento de Frida é o céu. Também as veias, que percorrem o quadro, são um tema recorrente nas suas obras”, afirma o curador do Museu de Arte Moderna da Cidade do México Carlos Segoviano.
“Frida Kahlo” é uma produção da Seventh Art Productions. O documentário também já pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro TV+ e no site oficial da plataforma (CurtaOn.com.br). A estreia é no dia temático Terças das Artes, 31 de março, às 21h.

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