Teatro

“Seis atores à procura de Machado” estreia no Rio e revisita a atualidade da obra de Machado de Assis

Espetáculo da Companhia Poiésis de Teatro estreia 26 de março no Teatro Mário Lago para alunos da rede pública

Peça propõe um encontro entre teatro, crônicas machadianas e reflexões sobre o Brasil contemporâneo

A força e a atualidade da obra de Machado de Assis ganham nova leitura nos palcos com o espetáculo “Seis atores à procura de Machado”, criação da Companhia Poiésis de Teatro. A montagem estreia no dia 26 de março, no Teatro Mário Lago, na Vila Kennedy, zona oeste do Rio de Janeiro, para os alunos da Escola Municipal GET Marechal Alcides Etchegoyen e do Colégio Estadual Jorge Zarur. A peça integra o circuito da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC-RJ) e terá, no total, cinco apresentações em diferentes espaços culturais do estado.
Com direção de Raiff Magno, o espetáculo nasce do encontro entre teatro, literatura e reflexão social. A proposta da peça é revisitar o pensamento machadiano a partir da experiência contemporânea de artistas que vivem e resistem no cenário cultural brasileiro. A ideia surgiu do interesse do grupo pela obra de Machado de Assis e sua importância na literatura brasileira.

Entre os seis atores da Companhia Poiésis de Teatro, três são professores de literatura, o que aproximou ainda mais o grupo dos textos machadianos. Ao revisitar principalmente as crônicas do autor, os artistas perceberam o quanto suas reflexões sobre sociedade, poder e relações humanas permanecem atuais, dialogando com o Brasil do século XXI.

“Machado de Assis continua extremamente atual porque ele observa as contradições humanas com muita lucidez e ironia. Ao trazer suas crônicas para o palco, percebemos o quanto suas reflexões sobre poder, desigualdade e comportamento ainda dialogam com o Brasil de hoje”, afirma o diretor Raiff Magno, acrescentando que o espetáculo propõe um diálogo entre a obra machadiana e os desafios de fazer teatro nos dias de hoje.

A montagem, que tem a produção da Catânia Produções Artísticas, tem caráter metateatral e mistura humor, crítica social e referências literárias. Em cena, os atores refletem sobre o amor pela arte, os desafios da profissão e a persistência de quem escolhe fazer teatro em um país onde a cultura muitas vezes enfrenta obstáculos para se manter viva. “O espetáculo também fala sobre o próprio fazer teatral. Somos artistas que insistem em continuar criando, mesmo diante das dificuldades. Existe uma ideia de resistência no espetáculo — quase uma teimosia em seguir fazendo teatro”, explica o diretor.

Embora a montagem dialogue com diferentes momentos da obra machadiana, seu eixo central está nas crônicas publicadas em jornais, textos em que o escritor exercitava um olhar atento, crítico e irônico sobre o cotidiano de sua época. A dramaturgia incorpora quatro dessas crônicas, conectando suas reflexões sobre desigualdade, modernidade e comportamento humano com a realidade contemporânea.

Além disso, o público também encontrará referências pontuais a clássicos da literatura brasileira como “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Dom Casmurro” e “Esaú e Jacó”, que surgem em cena dialogando com a narrativa e ampliando o universo machadiano apresentado no palco. Vale destacar que os professores vão receber um caderno de atividades em PDF que poderá ser trabalhado com os alunos em sala de aula. “O objetivo é que os jovens possam aprender mais sobre o universo de Machado comparando as crônicas da peça com elementos da filosofia, da sociologia e do comportamento humano de uma forma geral. Eles poderão fazer, ainda, uma comparação desse conteúdo com histórias em quadrinhos, usando o material como fator desenvolvedor para a interpretação de texto e a produção textual”, observa o diretor.

Para Raiff Magno, revisitar Machado hoje é também uma forma de provocar reflexão sobre o Brasil contemporâneo. “Machado falava de desigualdade, de aparência e essência, das relações de poder e das contradições da modernidade. São temas que continuam presentes na nossa sociedade, e o teatro tem a capacidade de provocar o público de forma sensível e crítica”, destaca.

A Companhia Poiésis de Teatro tem cerca de quatro anos de trajetória dedicada à pesquisa cênica e à criação autoral. A montagem contou com patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através do Edital Literatura do Rio ao RJ.

SERVIÇO
Espetáculo: “Seis atores à procura de Machado
Estreia: 26 de março (quinta-feira) às 12 horas no Teatro Mário Lago – Vila Kennedy.
Outras apresentações: 17 de abril às 15h na Biblioteca Parque (Entrada Franca), no Centro,e 18 de abril às 18h no Teatro Armando Gonzaga (Ingressos a R$10), em Marechal Hermes. Cidade: Rio de Janeiro
Circuito: Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC-RJ)
Direção: Raiff Magno
Elenco: Dayse Cervai, Sabrina Faerstein, André Caldas, André Marinho, Tiago Cavalcante e Henrique Manuel Pinho (ator convidado)
Criação: Companhia Poiésis de Teatro
Produção: Catânia Produções Artísticas Ltda.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *