Chega às plataformas nesta sexta, dia 6 de fevereiro, o álbum “Saudade do Paulo”, projeto que reúne os músicos Carlos Malta e Cliff Korman em torno da obra do instrumentista, compositor, arranjador e saxofonista Paulo Moura (1932-2010).
Para celebrar a trajetória do paulista que se mudou para o Rio de Janeiro na década de 1950, Carlos e Cliff, profundos conhecedores da obra de Paulo Moura, assumem o desafio de reinterpretar, a partir de uma pesquisa artística profunda e sensível, parte do repertório autoral do mestre.
Com arranjos para sax soprano e piano, registrados ao vivo no estúdio da Biscoito Fino, “Saudade de Paulo” é o primeiro disco de músicas compostas por Paulo Moura. Além de obras autorais, o álbum traz ainda o tema que dá nome ao projeto, composto por Cliff Korman, gravado em duo com opróprio Paulo Moura no álbum “Mood Ingênuo”, e também pelo trio de Cliff no álbum “Urban Tracks”, da discografia do pianista.
“Carlos e eu temos uma relação muito parecida com a que eu tive com o Paulo Moura, um ícone da música brasileira. Uma pequena parte da história do compositor Paulo Moura está neste álbum, envelopado num ambiente tanto jazzístico, quanto camerístico”, pontua o pianista norte-americano Cliff Korman.
Carlos Malta e Cliff Korman conviveram com Paulo Moura por anos. A relação de Korman com o saxofonista começou em 1981, como aluno, durante um curso de verão no Creative Music Studio, em Nova Iorque, ministrado por Paulo Moura. Anos depois, já no Brasil (é cidadão norte-americano e brasileiro), Cliff tornou-se a
A presença magnética de Paulo Moura em cena, empunhando o saxofone soprano dourado, sempre inovando nas instrumentações, arrebatou o jovem Carlos Malta e o incentivou a tornar-se aluno do mestre no Instituto Villa Lobos, em 1976. Para Malta, tão interessante quanto as aulas era a convivência fora da sala de aula, em bate-papos sobre música regados a chopp. “A memória mais forte que eu tenho do Paulo é de uns eventos que aconteciam no Teatro Opinião, às segundas-feiras, um samba desencapadoque rolava lá. Eu devia ter uns 15, 16 anos, estava começando a tocar flauta. O Paulo chegou todo de branco, parecia que estava numa nuvem, sempre. Bateu uma identificação musical, na hora: viramos amigos e depois parceiros”, conta Carlos Malta.
A importância do projeto de Carlos Malta e Cliff Korman interpretando a obra de Paulo Moura está na valorização, experimentação e difusão deste que é um dos legados mais relevantes da música brasileira, conduzido por dois grandes músicos e educadores.